Carta aberta sobre a crise da cultura em Goiás

 

(Foto: Ângela Macario)

A crise vivida pelo setor cultural goiano se agravou muito durante o atual governo estadual, que em pouco mais de dois anos empossou três secretários.

Neste período, o processo de desmontagem da cultura adquiriu velocidade acelerada e largo alcance: a lei de apoio à cultura, nos moldes do mecenato, se tornou inoperante com a extinção do contrato que permitia repasses fiscais; o Fundo de Arte e Cultura teve grande parte da verba redirecionada à própria SECULT e não mais ao fomento de artistas e produtores culturais; o Centro Cultural Oscar Niemeyer, maior equipamento estadual, foi entregue à gestão da Goiás Turismo e está fechado; os outros equipamentos estão sucateados e alguns estão à deriva, com suas vocações desvirtuadas por interesses opacos; a sombra da economia criativa tenta encobrir a produção autônoma de arte e de cultura; a visão deturpada dos processos de interiorização acha que tampando a produção da capital a interiorana se destacará; a manipulação ideológica anacrônica e bandeirantista do Plano Goiás 300 apareceu como delírio colonialista para comemorar os três séculos da invasão bandeirante; e por último, uma comissão especial, não prevista em edital, formada por membros da SECULT, da Secretaria Estadual de Economia e da OAB, decidirá quais projetos já aprovados em editais de anos anteriores do FAC receberão as verbas a que têm direito, numa atitude arbitrária e descabida.

O artista Dalton Paula representando a Frente de Defesa das Artes em Goiás (Foto Ângela Macario)© Fornecido por seLecT O artista Dalton Paula representando a Frente de Defesa das Artes em Goiás (Foto Ângela Macario)O artista Dalton Paula representando a Frente de Defesa das Artes em Goiás (Foto Ângela Macario)[/caption]

Desde então a Secretaria de Cultura tem tentado resolver numa parcela dos problemas: recuou no fechamento das duas galerias e da Escola de Artes Visuais. Porém não basta retomar no ponto precário em que estavam funcionando. É preciso um programa de revitalização com investimentos em recursos humanos e em tecnologias para estes espaços, é necessário ativar suas potencialidades. Logo, ainda há muito a trilhar.  

Quanto aos demais pontos levantados pela classe cultural, o Governo do Estado ainda não se pronunciou. Segue o temor do desmonte continuar a galope.

 Fonte: MSN