Dia de Combate à Meningite: adolescentes são os principais transmissores e devem se vacinar

 


24 de abril é o Dia Mundial de Combate à Meningite, uma doença grave e altamente contagiosa, que pode ser prevenida por meio da vacinação.

Caracterizada pela inflamação das meninges, membranas que envolvem o sistema nervoso central no cérebro, a meningite tem os quadros mais graves associados a bactérias, mas também pode ser provocada por vírus e até fungos.

O pediatra e infectologista Daniel Jarovsky diz que a que mais preocupa é a meningocócica e as crianças e, principalmente, os adolescentes, têm um importante papel na transmissão da doença:

Sonora

(Os agentes causadores de meningite, normalmente são transmitidos pela via respiratória, ou seja, através da tosse, espirro, ou até mesmo ao falar e gritar. Isso vale, obviamente para as crianças pequenas, que tem uma etiqueta da tosse, né, então quando estão doentes não conseguem conter a produção de salivas. E, vale também, principalmente, para os adolescentes. Nem todos os indivíduos que entram em contato com o meningococo irão desenvolver a meningite meningocócica ou a meningococemia. Nesse cenário, a bactéria passa a ficar na nasofaringe, ou seja, no nariz e na garganta dos indivíduos, de uma forma latente. Ela não causa a doença, nenhum sintoma, entretanto, ela pode ser transmitida para outros indivíduos. E é neste cenário, neste contexto, que os adolescentes têm uma participação muito, muito importante da doença meningocócica. Porque é nessa faixa etária onde se evidenciam as maiores taxas de colonização do nariz e da garganta pelo meningococo.)

Em alguns casos, a meningite pode evoluir rapidamente e provocar a morte do paciente, como explica o infectologista Daniel Jarovsky:

Sonora

(Entre as principais peculiaridades da doença meningocócica, podemos citar a imprevisibilidade dos casos, ou seja, não se sabe dizer quando serão graves ou não serão graves. Sabemos sim que a maioria dos casos é uma infecção que evolui para a cura, entretanto, muitos são aqueles que evoluem de uma forma séria, grave, com sequelas, e obviamente, são infecções que podem matar sim. É claro que é uma manifestação mais rara, em geral está associada a um quadro muito dramático chamado meningococemia, então você tem a meningite com a meningococemia, que é uma forma grave, disseminada da bactéria. E aí se ressalta a grande importância da vacinação como prevenção.)

O médico cita alguns dos sintomas da meningite meningocócica e lembra que a doença pode deixar sequelas:

Sonora

(A doença meningocócica e, especialmente, as meningites meningocócicas, podem se manifestar de formas muito variadas. Desde uma simples meningite leve, sem sequelas, apenas com quadro de febre, cefaleia, dor de cabeça, mal estar, até um quadro muito mais dramático, com alteração neurológica, alteração do sistema nervoso central, resultando em sequelas neurológicas, déficit do desenvolvimento neurológico, surdez, epilepsia, danos cerebrais irreversíveis e, na sua forma mais dramática, que nós chamamos de meningococemia, ocorre também amputação de membros, por exemplo, braços e pernas. Cerca de 18 a 20 por cento vão apresentar algum tipo de sequela, dentre essas que eu citei agora há pouco.)

O pediatra e infectologista Daniel Jarovsky diz que no Brasil existem três vacinas para prevenção das doenças meningocócicas:

Sonora

(A vacina meningocócica C conjugada, meningocócica ACWY conjugada e a vacina meningocócica B. No SUS e nas clínicas privadas, as crianças pequenas recebem doses aos 3, 5 meses e um reforço a partir de 12 meses de idade. No SUS é feita com a vacina meningocócica C conjugada e na rede privada temos acesso à vacina ACWY conjugada. Os adolescentes recebem vacinas também contra o meningococo, o SUS passou a contar com a vacina ACWY conjugada, assim como é feita na rede privada. Ou seja, é uma vacina nova para o SUS, que está disponível gratuitamente nos postos de saúde de todo o Brasil para o reforço dos adolescentes, que neste momento está sendo feita entre 11 e 12 anos de idade.)

O tratamento da meningite meningocócica é feito com o uso de antibióticos e suporte clínico.

Em quadros mais graves, o paciente pode necessitar de máquinas para respirar melhor ou para garantir o funcionamento dos rins.