O aborto espontâneo afeta uma em cada dez mulheres; pacientes não recebem o apoio necessário

 


A cada ano, 23 milhões de abortos espontâneos ocorrem no mundo.

A interrupção da gestação afeta uma em cada dez mulheres, sendo que uma em cada 50 já passou por isso duas vezes.

Os números são de relatório produzido com base em três estudos, publicado na revista científica The Lancet.

 As informações foram colhidas por uma equipe internacional de 31 pesquisadores e apontam um tratamento desigual para essas mulheres entre os países.

 De acordo com os autores dos estudos, mesmo nas nações mais ricas é necessário criar um novo sistema, para que as pacientes recebam os cuidados físicos e psicológicos de que necessitam.

O levantamento também mostra que as informações sobre o aborto espontâneo são, na maioria das vezes, generalizadas ou incorretas.

Muitas mulheres acreditam que ele raramente ocorre ou que pode ser causado pelo uso do anticoncepcional ou por carregar objetos pesados.

 Essas teorias podem fazer com que as gestantes ou seus parceiros se sintam culpados pela perda do bebê e precisem de apoio, que dificilmente buscam.

 O estudo aponta que 20 por cento das mulheres que sofrem um aborto espontâneo desenvolvem transtorno de estresse pós-traumático nove meses depois.

Mas o trauma geralmente não é percebido, pois no mundo todo há uma tendência de se manter silêncio em torno do aborto, afirmam os pesquisadores.

O relatório destaca que é preciso fortalecer os serviços de atendimento ao aborto espontâneo, pois a era de dizer para essas mulheres tentarem de novo acabou.